terça-feira, maio 12, 2009

Já gastámos metade do C02 que podíamos para impedir

Limite máximo é de dois graus

Uma centena de países comprometeu-se a lutar para que a temperatura média global não suba mais que dois graus acima dos valores anteriores à Revolução Industrial. Para isso, é preciso reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), mas em quanto? Cientistas britânicos e alemães fizeram as contas, e publicaram na “Nature”. Um milhão de milhões de toneladas de CO2 é o limite. A má notícia é que, daqui até 2050, só podemos emitir metade disso – muito menos do que as reservas de combustíveis fósseis do planeta.

Não há nada de especialmente determinante nesses dois graus, escrevem num comentário Gavin Schmidt, do Instituto Goddard da NASA e David Archer, da Universidade de Chicago. “É algo semelhante a um limite de velocidade na estrada”, escrevem, um ponto de compromisso, uma temperatura a partir da qual se julga que os riscos para o ecossistema da Terra podem aumentar muito. Mas é um valor que tem servido de referência para cálculos de cientistas e políticos.

Ora até 2008 já consumimos 500 mil milhões de toneladas de CO2 – metade do orçamento de carbono calculado pela equipa de Malte Meinshausen, do Instituto de Investigação do Clima de Potsdam. “Se continuarmos a queimar combustíveis fósseis como até agora, esgotaremos o nosso orçamento de carbono e o aquecimento global irá bem para além dos dois graus” em 2010, diz Meinshausen.

E se usássemos todas as reservas de petróleo, gás natural e carvão conhecidas cuja exploração é rentável, então emitiríamos quatro vezes mais.

Ora estas contas mostram que é impossível continuar assim, dizem os cientistas, fazendo um apelo directo aos políticos, num comentário ao seu trabalho. “Só um abandono rápido dos combustíveis fósseis nos dará hipóteses razoáveis de evitar um aquecimento considerável. Um aumento de dois graus na temperatura média global levar-nos-ia muito para além dos níveis naturais de variação da temperatura que a vida na Terra suportou desde que os seres humanos existem”, sublinhou Meinshausen.

Clara Barata in Publico

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